Arquivar

Archive for the ‘Galeria de Pastores’ Category

O diário do Pastor Solon Teixeira

Outubro, 17, 2008 dcedilson 5 comentários

A trilha de um poeta cristão

Quem analisa a história de vida do pastor Solon Teixeira Gomes fica admirado com o diário que ele escreveu. O livro foi comprado na extinta Casa do Colegial, no dia 15 de março de 1977, e visava unicamente relatar os fatos que marcaram a vida ministerial dele, desde a conversão ao Evangelho, em maio de 1945, no município de Santana do Ipanema, até um dos últimos campos cuidados pelo pastor, em São José da Laje.

Filho de Antônio Teixeira Cristo e de Maria Teixeira Gomes, o anfitrião nasceu no dia 24 de julho de 1927, na cidade de Arcoverde, em Pernambuco. Perdeu a mãe quando tinha oito anos e foi morar com as tias. Cresceu ouvindo a história do padre mais conhecido dos católicos, por causa da extrema devoção das que cuidavam dele.

Aos 18 anos, veio para Alagoas onde trabalhou na pavimentação de rodovias federais. Chegou a ser contratado por várias empresas e depois assinaram a sua carteira de trabalho na Chesf. Nesta companhia trabalhou 24 anos como auxiliar de escritório.

Solon Teixeira registrou em seu diário pessoal que teve um encontro com Jesus em Santana do Ipanema. A congregação no município era liderada pelo pastor José Santana. Ele relatou que o coração já havia sido tocado profundamente pelas mensagens pregadas pelo pastor José Tavares, ex-presidente da Assembléia de Deus em São Paulo.

Um fato curioso é que após a decisão, Solon Teixeira ficou praticamente um mês em casa porque não sabia como saudaria os irmãos. Um dia, foi cumprimentado com ‘a paz do Senhor’ e perdeu a vergonha.

Jesus o batizou com o Espírito Santo no dia 6 de abril de 1946, no culto em um casebre de taipa, no povoado de Capiá, entre Santana do Ipanema e Canapi. Já o batismo nas águas aconteceu no tanque batismal, em Mata Grande. Ele informou que desceu às águas no dia 25 de abril do mesmo ano e precisou andar vários quilômetros a pé para chegar ao destino. O pastor Aníbal Vieira Feitoza foi quem fez a cerimônia.

Logo quando aceitou Jesus, foi escolhido para ser o auxiliar do pastor José Antônio. Isso aconteceu no ano de 1947, no povoado de Coité, terras de Campo Alegre.

Mesmo com o trabalho na igreja, por duas vezes fracassou na caminhada espiritual e deixou o caminho estreito. No entanto, ele revelou que no final do culto de domingo, em novembro de 1956, após um dia inteiro de bebedeira, foi levado pelo Espírito Santo ao templo, situado na Rua São Francisco, 684, em Paulo Afonso. Solon Teixeira não resistiu ao apelo feito pelo pastor Joaquim Moreira da Costa (in memorian) e retornou aos braços do Pai.

CASAMENTO

A paquera começou em Paulo Afonso. Enide de Queiroz Gomes, de Delmiro Gouveia, viu a fotografia de Solon Teixeira pelas amigas. Pouco tempo depois foi morar com os pais em Paulo Afonso, onde conheceu seu futuro esposo. Um dia, ela conta, que estava na porta de casa quando o paquera apareceu com um galho de árvore e passou no pé dela para chamar a atenção. Na ocasião pediu para conversarem. Quando o diálogo aconteceu, Solon foi bem direto e revelou que gostaria de casar. A moça, de 15 anos, pediu o consentimento do pastor Joaquim Moreira.

Para resumir, o ministro autorizou o enlace e os dois estavam casados seis meses após aquela conversa. A cerimônia, de acordo com o diário, foi simples, mas o suficiente para ser bonita.

Do casamento vieram 12 filhos, três deles não chegaram a viver mais que um dia. Abigail Teixeira de Queiroz, Abner Teixeira de Queiroz, Azenate Teixeira de Queiroz, Adna Teixeira de Queiroz, Aliã Teixeira de Queiroz, Abilene Teixeira de Queiroz, Abnadabe Teixeira de Queiroz, Abediel Teixeira de Queiroz ainda são os filhos que estão vivos para contar história. Outra Abigail Teixeira de Queiroz já faleceu.

Agora são treze netos e mais dois bisnetos.

MINISTÉRIO

Foi consagrado direto ao presbitério no dia 10 de abril de 1960, sob a liderança do pastor João Teodoro de Lima. Em junho de 1975, veio para Maceió, onde atuou como secretário da igreja quando o presidente era Manoel Pereira Lima. No dia 29 deste mês, tomou posse na Assembléia de Deus no Tabuleiro do Martins e precisou se mudar para a capital definitivamente.

No dia 26 de fevereiro de 1977, chegou ao campo de Viçosa substituindo o evangelista Manoel Francisco da Silva. Em 18 de janeiro de 1980, chegou a Paripueira, onde permaneceu até 26 de abril de 1983, quando assumiu a congregação em Joaquim Gomes.

No dia 15 de agosto de 1983, chegou em São José da Laje. Neste campo permaneceu quatro anos. De lá foi transferido para Matriz de Camaragibe (mais quatro anos) e por último São Luís do Quitunde, onde construiu aproximadamente seis templos.

LIÇÕES

“Para mim ele era uma jóia, um marido muito bom, pai exemplar, exigente, alegre, expansivo, criativo, tratava todo mundo bem, era ‘mão-aberta’. Um dia um irmão carente em São Luís do Quitunde pediu uma oferta para comprar um sapato. Solon tirou o dele e deu para o irmão, no meio do culto. Ele era muito bom. Quanto orava Jesus curava os enfermos; quase toda festa que estava chovendo, pedia para os guardarem as sombrinhas porque a chuva iria passar. E Jesus fazia isso mesmo”, recordou Enide Teixeira, viúva do pastor Solon Teixeira.

O pastor gostava de recitar poemas e era o responsável pelas curiosidades bíblicas publicadas no Jornal Novas de Esperança.

FALECIMENTO

O pastor Solon Teixeira conviveu, durante parte da vida, com uma dor constante no estômago. Em 1999, descobriu um câncer e precisou se operar no ano seguinte. Passou pelo tratamento de quimioterapia, mas nunca reclamou de nada. Partiu para a eternidade no dia 05 de abril de 2001, deixando a mulher, os filhos, os netos, bisnetos e todo um legado de bom testemunho por onde passou.

Thiago Gomes

Foto: Arquivo Pessoal da família.

Saudoso Pr. Geremias Amaro

Outubro, 17, 2008 dcedilson Deixe um comentário

Conheça a história deste homem de Deus

 Pr. Geremias Amaro Geremias Freitas Amaro nasceu no dia 7 de setembro de 1952, no município pernambucano de Maraial. Filho do ferroviário Sebastião Vicente Amaro e da dona de casa Maria de Freitas Amaro, chegou a Alagoas ainda criança, onde viveu até ganhar a adolescência na cidade de Atalaia. Os familiares recordam que o garoto era aventureiro.

Um certo dia, Geremias fez algo de errado e foi surrado pelos pais. Diante disso, ele saiu correndo pela rua afirmando que iria morrer por causa das ‘lapadas’ que levou. Escondeu-se nas proximidades de um córrego que atravessava a cidade e só foi encontrado horas depois, para desespero de todos.

Quando jovem, partiu para União dos Palmares e foi lá que aprendeu o ofício de mecânico e a gostar de construções. Nesta cidade, ele também teve grandes experiências com Deus. Falou com o pastor dele e desceu as águas batismais quando tinha 12 anos. Com a mesma idade, firmou o propósito de receber o dom do batismo com o Espírito Santo em um Círculo de Oração. Para isso, apresentou a Deus o pedido com muita fé.

Ao término do trabalho, Geremias não havia recebido o batismo ainda e pôs-se a chorar embaixo da mesa onde as irmãs ministravam o Círculo de Oração. Deus ouviu a sinceridade do coração dele e lhe concedeu a bênção tão almejada.

Quando ficou maior de idade, conheceu aquela que seria a sua esposa, a penedense Relma Guedes. O encontro aconteceu no ano de 1972, em Maceió, no bairro de Bebedouro, para onde os dois vieram morar. Neste tempo, ela cantava no Departamento Jovem Novas de Alegria e ele tocava vários instrumentos musicais, mas o preferido de Jeremias era o cavaquinho, pela facilidade que tinha em manuseá-lo.

A irmã dela, Mirian, teve uma grande contribuição para que os dois se unissem. Na primeira oportunidade que teve, Jeremias pediu em casamento a mulher que ele considerava ideal para viver. Orientado pelos pais desde criança na doutrina sagrada, o jovem recebeu o sinal verde de Deus e marcou a cerimônia, que foi realizada no dia 25 de março de 1974.

Com nove meses de casados e morando no Vergel do Lago, chega ao mundo Jesiel Guedes Freitas, o primeiro filho dos dois. Após um ano e três meses, nasce Gedirlene Guedes Freitas, a única mulher, que foi sucedida por Jadiel, o caçulo. Os herdeiros casaram também e já somam juntos seis netos na família.

Voltaram para Bebedouro e, na congregação do bairro, Geremias começou a se destacar. Sempre buscando a Deus e com uma postura de liderança, assumiu logo uma sala na Escola Bíblica Dominical, da qual passou a ser, tempos depois, o superintendente. Servindo ao Senhor com dedicação, ele foi logo separado ao diaconato, onde contribuiu por aproximadamente dois anos. A indicação foi feita pelo pastor Cláudio Pereira da Silva, então dirigente de Bebedouro.

Pouco tempo depois, já na gestão do pastor Edson dos Santos, foi aclamado presbítero. Depois, o pastor Manuel Bezerra assume a congregação, mas adoeceu e Geremias Amaro liderou a Igreja em Bebedouro interinamente.

O ministério dele foi crescendo e em 1987 assumiu a primeira congregação no campo. A cidade escolhida foi Quebrangulo, onde fez um brilhante trabalho durante três anos e dois meses. A lembrança dos familiares gira em torno de dois fatos: primeiro a grande cheia que destruiu completamente a cidade, e a despedida dele no campo, marcada por muito choro. Com a ajuda de Deus e a colaboração imprescindível dos membros, conseguiu reerguer o templo e a partir deste fato decidiu construir pelo menos uma igreja em cada local que estivesse.

E assim fez em Viçosa, onde passou sete anos; em Joaquim Gomes, dois anos e dois meses; Palmeira dos Índios, dois anos; Teotônio Vilela, cinco anos e cinco meses; e Colônia Leopoldina, último campo dele, onde atuou dois anos.

O templo em Colônia foi inaugurado em março de 2008. A esposa recorda que Geremias estava para erguer a cozinha e a classe infantil da igreja, mas não deu tempo. O pastor faleceu no dia 4 de junho e, sempre preocupado com o andamento das obras, ainda chegou a perguntar a dona Relma, instantes antes de dormir no Senhor, se o material para a construção havia chegado.

Ela recorda que os cultos na cidade foram realizados, durante três meses, sob cabanas improvisadas, já que o templo havia sido demolido completamente para que uma nova construção fosse iniciada. Mesmo doente, sentindo dores por conta da cirurgia cardíaca que fez em setembro de 2007, Jeremias não media esforços para acompanhar de perto a rotina dos trabalhos.

Ainda vivo, encontrou nos pastores Aurélio, Josias Emídio, Firmino e Edson dos Santos exemplos de companheirismo e no Salmo 46 a quietude ansiada. Na Harpa Cristã, o refúgio era no hino 350.

O coração agüentou até a inauguração do templo. Um infarto levou o pastor a uma insuficiência respiratória, que o tirou do convívio terrestre. A certeza de estar no paraíso confortou a família a partir do depoimento de uma das netas, de três anos. Ela, um belo dia, acordou alegre dizendo que o avô subiu para o céu bradando glória a Deus. Aleluia!

O pastor Geremias Amaro deixa muitas lições de vida, tanto para os familiares como para os crentes cuidados por ele. Diz a esposa, emocionada: “Meu marido era uma pessoa alegre, de muita fé, comunicativo e nunca fazia acepção, tratava a todos do mesmo jeito. Por onde passava, o trabalho crescia, pois fazia tudo com muito gosto e colocando sempre Deus à frente. Gostava de cruzadas, concentrações, de ganhar almas para o Reino do Senhor. Ouvia e ficava calado, não levava em conta as ofensas que recebia; também gostava muito de ajudar os irmãos carentes; era um homem de Deus”.

Thiago Gomes

Pr. João Pereira: Saudades!

Outubro, 17, 2008 dcedilson Deixe um comentário

A trajetória de um homem respeitado

Arquivo pessoal Pr. João Pereira com a família “Calmo, humilde e honesto nas mínimas coisas”. Assim foi João Alves Pereira, nascido no dia 13 de dezembro de 1920, na cidade de Marechal Deodoro, município litoral sul alagoano. Os adjetivos foram ditos pelos parentes de um dos pastores mais respeitados do Estado, aquele que andava ombro a ombro com o saudoso pastor Antônio Rêgo Barros, que foi presidente da Assembléia de Deus em Alagoas.

João Pereira era filho de Antônio Alves Pereira e Maria José da Rosa. Recordações da infância dele são remotas, mas um fato marcou a trajetória deste homem de Deus: a conversão a Cristo no ano de 1936, aos 16 anos de idade. Começava, então, a jornada dele, sem mácula, na terra. Ele foi o primeiro de sua casa a tomar a decisão.

Os parentes relatam que na época em que ele aceitou Jesus, Marechal Deodoro era dominada pelo catolicismo. Havia um líder religioso que costumava atrapalhar os cultos, ameaçando os crentes com pedras e pedaços de madeira.

Um dia, João Pereira saiu escondido da mãe – muito católica – para assistir ao culto na residência de uma senhora cujo esposo não era evangélico ainda. De repente, o grupo de religiosos começou os insultos e as ameaças como forma de intimidação. Porém, o dono da casa, mesmo sem conhecer a Jesus, se mostrou firme e fez os chantagistas recuarem. “Aqui vocês não entram, pois, se assim fizerem, vão ser queimados com fogo do céu”, gritou o homem.

Por conta deste fato e também pela bela mensagem, em João 3, sobre Nicodemos, pregada neste dia, João Pereira, o dono da casa e muitos outros se renderam aos pés do Senhor. A mãe dele veio a aceitar Jesus em outra ocasião.

Pouco tempo depois que ele servia a Deus, foi separado para porteiro. Serviu com alegria e chegou ao diaconato, logo após ao presbitério (serviu em Penedo) e quando tinha apenas 33 anos foi consagrado a evangelista. Mas algo ainda lhe faltava: o casamento.

Foi então que o pastor presidente da época decidiu ajudá-lo a encontrar a futura esposa dele. João Pereira já havia comentado que estava observando e apresentado a Deus uma jovem de Rio Largo que viu uma única vez quando esteve visitando a congregação. O pedido de casamento, em nome dele, foi feito pelo pastor Rêgo Barros. Ela disse que iria orar e depois daria a resposta.

Pouco tempo depois, os dois estavam unidos. A cerimônia aconteceu no dia 20 de março de 1954. O detalhe é que eles se viram apenas três vezes antes do casamento. A escolhida de João Pereira tratava-se de Adalgisa Lopes Pereira, com quem teve nove filhos (Joaz Alves Pereira, Alda Alves Pereira, Bétia Alves Pereira, Silza Alves Pereira (in memoriam), Asenate Alves Pereira, Mizia Pereira Cavalcante, Efa Alves Pereira, Jetro Alves Pereira e Boaz Alves Pereira). Dos filhos saíram 13 netos e mais cinco bisnetos.

A família recorda que um dia João Pereira caiu de uma cadeira e, pela queda, ficou desmaiado por um longo tempo. Desesperada, a esposa chamou uns irmãos da igreja e quando intercederam a saúde dele foi restabelecida.

No mesmo dia do casamento foi consagrado a pastor e transferido para São Miguel dos Campos. Na cidade, adquiriu um terreno e ergueu o templo-sede da Assembléia de Deus. A família recorda que as dificuldades foram grandes, mas a providência de Deus foi maior.

Em 1962, chegou ao campo de Maragogi, onde se tornou um líder respeitado, inclusive pelas autoridades judiciárias. Em todas as eleições, era convocado pelo juiz da comarca para fiscalizar a contagem dos votos. Um dia, precisou tomar uma decisão difícil numa residência em que estava como hóspede. O juiz teria determinado que o filho de um casal deveria ficar com o pai, mas a mãe estava inconformada.

Muito sábio e na direção de Deus, João Pereira tocou no ombro da mulher e sussurrou em seu ouvido: “Entregue o menino para o pai, pois essa foi a determinação do juiz”. A sugestão do pastor foi acatada pela família e a contenda foi encerrada naquele momento.

Quando deixou Maragogi, foi para São José da Laje (1968 a 1972), de onde foi transferido para o último campo dele, Atalaia (1978 a 1980). Nesta década, foi jubilado e veio morar em Maceió.

LIÇÕES

João Pereira faleceu no dia 21 de junho de 2008. Ele lutava contra um câncer e seus órgãos vitais pararam. Mas a lembrança e o legado nunca serão esquecidos. Daquele homem honesto que chegou a devolver na padaria um pão que veio a mais quando comprou; daquele pai presente, correto, que sempre ensinava baseado na Bíblia; que gostava de orar de joelhos no quarto e meditar na Palavra; que se preocupava em falar bem o português; que gostava de andar sempre cheiroso…

Daquele que tinha a obra do Espírito Santo como forma de vida; gostava de ver os templos arrumados, limpos; por onde passava deixava uma reforma; que costumava andar muito a pé… Enfim, os exemplos são muitos.

“A maior lição que ele nos deixou foi que não devemos buscar riquezas para essa vida, porque o nosso tesouro está guardado na eternidade de Deus. Lá é a nossa pátria. Para os filhos, netos e bisnetos, papai pediu para sempre andarem na verdade, que é Jesus”, resume Mizia Cavalcante, uma das filhas.

Thiago Gomes