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Archive for the ‘Galeria de Pastores’ Category

Saudoso Pr. Geremias Amaro

Outubro, 17, 2008 dcedilson Deixe um comentário

Conheça a história deste homem de Deus

 Pr. Geremias Amaro Geremias Freitas Amaro nasceu no dia 7 de setembro de 1952, no município pernambucano de Maraial. Filho do ferroviário Sebastião Vicente Amaro e da dona de casa Maria de Freitas Amaro, chegou a Alagoas ainda criança, onde viveu até ganhar a adolescência na cidade de Atalaia. Os familiares recordam que o garoto era aventureiro.

Um certo dia, Geremias fez algo de errado e foi surrado pelos pais. Diante disso, ele saiu correndo pela rua afirmando que iria morrer por causa das ‘lapadas’ que levou. Escondeu-se nas proximidades de um córrego que atravessava a cidade e só foi encontrado horas depois, para desespero de todos.

Quando jovem, partiu para União dos Palmares e foi lá que aprendeu o ofício de mecânico e a gostar de construções. Nesta cidade, ele também teve grandes experiências com Deus. Falou com o pastor dele e desceu as águas batismais quando tinha 12 anos. Com a mesma idade, firmou o propósito de receber o dom do batismo com o Espírito Santo em um Círculo de Oração. Para isso, apresentou a Deus o pedido com muita fé.

Ao término do trabalho, Geremias não havia recebido o batismo ainda e pôs-se a chorar embaixo da mesa onde as irmãs ministravam o Círculo de Oração. Deus ouviu a sinceridade do coração dele e lhe concedeu a bênção tão almejada.

Quando ficou maior de idade, conheceu aquela que seria a sua esposa, a penedense Relma Guedes. O encontro aconteceu no ano de 1972, em Maceió, no bairro de Bebedouro, para onde os dois vieram morar. Neste tempo, ela cantava no Departamento Jovem Novas de Alegria e ele tocava vários instrumentos musicais, mas o preferido de Jeremias era o cavaquinho, pela facilidade que tinha em manuseá-lo.

A irmã dela, Mirian, teve uma grande contribuição para que os dois se unissem. Na primeira oportunidade que teve, Jeremias pediu em casamento a mulher que ele considerava ideal para viver. Orientado pelos pais desde criança na doutrina sagrada, o jovem recebeu o sinal verde de Deus e marcou a cerimônia, que foi realizada no dia 25 de março de 1974.

Com nove meses de casados e morando no Vergel do Lago, chega ao mundo Jesiel Guedes Freitas, o primeiro filho dos dois. Após um ano e três meses, nasce Gedirlene Guedes Freitas, a única mulher, que foi sucedida por Jadiel, o caçulo. Os herdeiros casaram também e já somam juntos seis netos na família.

Voltaram para Bebedouro e, na congregação do bairro, Geremias começou a se destacar. Sempre buscando a Deus e com uma postura de liderança, assumiu logo uma sala na Escola Bíblica Dominical, da qual passou a ser, tempos depois, o superintendente. Servindo ao Senhor com dedicação, ele foi logo separado ao diaconato, onde contribuiu por aproximadamente dois anos. A indicação foi feita pelo pastor Cláudio Pereira da Silva, então dirigente de Bebedouro.

Pouco tempo depois, já na gestão do pastor Edson dos Santos, foi aclamado presbítero. Depois, o pastor Manuel Bezerra assume a congregação, mas adoeceu e Geremias Amaro liderou a Igreja em Bebedouro interinamente.

O ministério dele foi crescendo e em 1987 assumiu a primeira congregação no campo. A cidade escolhida foi Quebrangulo, onde fez um brilhante trabalho durante três anos e dois meses. A lembrança dos familiares gira em torno de dois fatos: primeiro a grande cheia que destruiu completamente a cidade, e a despedida dele no campo, marcada por muito choro. Com a ajuda de Deus e a colaboração imprescindível dos membros, conseguiu reerguer o templo e a partir deste fato decidiu construir pelo menos uma igreja em cada local que estivesse.

E assim fez em Viçosa, onde passou sete anos; em Joaquim Gomes, dois anos e dois meses; Palmeira dos Índios, dois anos; Teotônio Vilela, cinco anos e cinco meses; e Colônia Leopoldina, último campo dele, onde atuou dois anos.

O templo em Colônia foi inaugurado em março de 2008. A esposa recorda que Geremias estava para erguer a cozinha e a classe infantil da igreja, mas não deu tempo. O pastor faleceu no dia 4 de junho e, sempre preocupado com o andamento das obras, ainda chegou a perguntar a dona Relma, instantes antes de dormir no Senhor, se o material para a construção havia chegado.

Ela recorda que os cultos na cidade foram realizados, durante três meses, sob cabanas improvisadas, já que o templo havia sido demolido completamente para que uma nova construção fosse iniciada. Mesmo doente, sentindo dores por conta da cirurgia cardíaca que fez em setembro de 2007, Jeremias não media esforços para acompanhar de perto a rotina dos trabalhos.

Ainda vivo, encontrou nos pastores Aurélio, Josias Emídio, Firmino e Edson dos Santos exemplos de companheirismo e no Salmo 46 a quietude ansiada. Na Harpa Cristã, o refúgio era no hino 350.

O coração agüentou até a inauguração do templo. Um infarto levou o pastor a uma insuficiência respiratória, que o tirou do convívio terrestre. A certeza de estar no paraíso confortou a família a partir do depoimento de uma das netas, de três anos. Ela, um belo dia, acordou alegre dizendo que o avô subiu para o céu bradando glória a Deus. Aleluia!

O pastor Geremias Amaro deixa muitas lições de vida, tanto para os familiares como para os crentes cuidados por ele. Diz a esposa, emocionada: “Meu marido era uma pessoa alegre, de muita fé, comunicativo e nunca fazia acepção, tratava a todos do mesmo jeito. Por onde passava, o trabalho crescia, pois fazia tudo com muito gosto e colocando sempre Deus à frente. Gostava de cruzadas, concentrações, de ganhar almas para o Reino do Senhor. Ouvia e ficava calado, não levava em conta as ofensas que recebia; também gostava muito de ajudar os irmãos carentes; era um homem de Deus”.

Thiago Gomes

Pr. João Pereira: Saudades!

Outubro, 17, 2008 dcedilson Deixe um comentário

A trajetória de um homem respeitado

Arquivo pessoal Pr. João Pereira com a família “Calmo, humilde e honesto nas mínimas coisas”. Assim foi João Alves Pereira, nascido no dia 13 de dezembro de 1920, na cidade de Marechal Deodoro, município litoral sul alagoano. Os adjetivos foram ditos pelos parentes de um dos pastores mais respeitados do Estado, aquele que andava ombro a ombro com o saudoso pastor Antônio Rêgo Barros, que foi presidente da Assembléia de Deus em Alagoas.

João Pereira era filho de Antônio Alves Pereira e Maria José da Rosa. Recordações da infância dele são remotas, mas um fato marcou a trajetória deste homem de Deus: a conversão a Cristo no ano de 1936, aos 16 anos de idade. Começava, então, a jornada dele, sem mácula, na terra. Ele foi o primeiro de sua casa a tomar a decisão.

Os parentes relatam que na época em que ele aceitou Jesus, Marechal Deodoro era dominada pelo catolicismo. Havia um líder religioso que costumava atrapalhar os cultos, ameaçando os crentes com pedras e pedaços de madeira.

Um dia, João Pereira saiu escondido da mãe – muito católica – para assistir ao culto na residência de uma senhora cujo esposo não era evangélico ainda. De repente, o grupo de religiosos começou os insultos e as ameaças como forma de intimidação. Porém, o dono da casa, mesmo sem conhecer a Jesus, se mostrou firme e fez os chantagistas recuarem. “Aqui vocês não entram, pois, se assim fizerem, vão ser queimados com fogo do céu”, gritou o homem.

Por conta deste fato e também pela bela mensagem, em João 3, sobre Nicodemos, pregada neste dia, João Pereira, o dono da casa e muitos outros se renderam aos pés do Senhor. A mãe dele veio a aceitar Jesus em outra ocasião.

Pouco tempo depois que ele servia a Deus, foi separado para porteiro. Serviu com alegria e chegou ao diaconato, logo após ao presbitério (serviu em Penedo) e quando tinha apenas 33 anos foi consagrado a evangelista. Mas algo ainda lhe faltava: o casamento.

Foi então que o pastor presidente da época decidiu ajudá-lo a encontrar a futura esposa dele. João Pereira já havia comentado que estava observando e apresentado a Deus uma jovem de Rio Largo que viu uma única vez quando esteve visitando a congregação. O pedido de casamento, em nome dele, foi feito pelo pastor Rêgo Barros. Ela disse que iria orar e depois daria a resposta.

Pouco tempo depois, os dois estavam unidos. A cerimônia aconteceu no dia 20 de março de 1954. O detalhe é que eles se viram apenas três vezes antes do casamento. A escolhida de João Pereira tratava-se de Adalgisa Lopes Pereira, com quem teve nove filhos (Joaz Alves Pereira, Alda Alves Pereira, Bétia Alves Pereira, Silza Alves Pereira (in memoriam), Asenate Alves Pereira, Mizia Pereira Cavalcante, Efa Alves Pereira, Jetro Alves Pereira e Boaz Alves Pereira). Dos filhos saíram 13 netos e mais cinco bisnetos.

A família recorda que um dia João Pereira caiu de uma cadeira e, pela queda, ficou desmaiado por um longo tempo. Desesperada, a esposa chamou uns irmãos da igreja e quando intercederam a saúde dele foi restabelecida.

No mesmo dia do casamento foi consagrado a pastor e transferido para São Miguel dos Campos. Na cidade, adquiriu um terreno e ergueu o templo-sede da Assembléia de Deus. A família recorda que as dificuldades foram grandes, mas a providência de Deus foi maior.

Em 1962, chegou ao campo de Maragogi, onde se tornou um líder respeitado, inclusive pelas autoridades judiciárias. Em todas as eleições, era convocado pelo juiz da comarca para fiscalizar a contagem dos votos. Um dia, precisou tomar uma decisão difícil numa residência em que estava como hóspede. O juiz teria determinado que o filho de um casal deveria ficar com o pai, mas a mãe estava inconformada.

Muito sábio e na direção de Deus, João Pereira tocou no ombro da mulher e sussurrou em seu ouvido: “Entregue o menino para o pai, pois essa foi a determinação do juiz”. A sugestão do pastor foi acatada pela família e a contenda foi encerrada naquele momento.

Quando deixou Maragogi, foi para São José da Laje (1968 a 1972), de onde foi transferido para o último campo dele, Atalaia (1978 a 1980). Nesta década, foi jubilado e veio morar em Maceió.

LIÇÕES

João Pereira faleceu no dia 21 de junho de 2008. Ele lutava contra um câncer e seus órgãos vitais pararam. Mas a lembrança e o legado nunca serão esquecidos. Daquele homem honesto que chegou a devolver na padaria um pão que veio a mais quando comprou; daquele pai presente, correto, que sempre ensinava baseado na Bíblia; que gostava de orar de joelhos no quarto e meditar na Palavra; que se preocupava em falar bem o português; que gostava de andar sempre cheiroso…

Daquele que tinha a obra do Espírito Santo como forma de vida; gostava de ver os templos arrumados, limpos; por onde passava deixava uma reforma; que costumava andar muito a pé… Enfim, os exemplos são muitos.

“A maior lição que ele nos deixou foi que não devemos buscar riquezas para essa vida, porque o nosso tesouro está guardado na eternidade de Deus. Lá é a nossa pátria. Para os filhos, netos e bisnetos, papai pediu para sempre andarem na verdade, que é Jesus”, resume Mizia Cavalcante, uma das filhas.

Thiago Gomes